14/09/2020
AMAZÔNIA

Para deputado, decreto legitima grilagem

De autoria do deputado Alessandro Molon (PSB-RJ), o Projeto de Decreto Legislativo (PDL) n° 366/20 anula os efeitos do decreto do presidente Jair Bolsonaro que criou, no dia 10 de agosto, o Comitê Gestor do Projeto de Cooperação Brasil-Alemanha para Regularização Ambiental de Imóveis Rurais na Amazônia e em Áreas de Transição para o Cerrado. O texto está sendo analisado pela Câmara dos Deputados.

O relator diz que ao promover a regularização fundiária de propriedades localizadas em uma área de 6,374 milhões de hectares na Amazônia, área equivalente aos estados do rio de janeiro e Sergipe, juntos, o decreto legitima terras públicas invadidas e griladas na floresta amazônica. “Ao invés de punir quem destrói a Amazônia ou ao menos tentar frear o aumento do desmatamento, o governo vai na contramão e publica um decreto não apenas lesivo ao meio ambiente mas manifestamente ilegal, legitimando aqueles que, há anos, se apossam de terras públicas e as desmatam ilegalmente, tornando lícitos os produtos de seus crimes”, diz Molon.

O deputado comentou dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) que mostram aumento de 34% no desmatamento da Amazônia nos cinco primeiros meses de 2020. “Tudo isso em um momento em que investidores estrangeiros, com mais de R$ 10 trilhões disponíveis, ameaçam desinvestir no Brasil caso não haja avanço na preservação da Amazônia. Percebe-se que o decreto é lesivo não apenas ao meio ambiente, mas também à economia”, acrescenta o deputado.

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